Era como se houvesse
uma tempestade em sua cabeça. As nuvens carregadas a impediam de ver suas
possibilidades. Raios, trovões e ondas imensas lhe sacolejavam o peito e
carregavam sua alma para longe do seu ponto de equilíbrio. Foi então que se deu
conta de que aquilo tudo estava dentro dela mesma. Seu corpo estava tomando a
sua razão e, com isso, roubando-lhe também as palavras das quais tanto se
orgulhava de dominar. Então, dentro desse assustador cenário, lhe restava
chorar. Chorar como uma criança perdida esperando o encontro por seus pais. Um
choro inconsolável que expunha todas as suas fraquezas e todos os seus medos.
Quando percebeu quão
sozinha e perdida estava dentro de si mesma, quando percebeu que não era
possível ser salva da tempestade dentro de sua própria mente, foi possível,
então, olhar para fora e ver que havia um horizonte onde a tempestade não
alcançava. Havia um longo caminho até chegar e era preciso, principalmente, se
acalmar. Foi aí então, que num grito de desespero, pediu ajuda. Pediu ajuda,
silenciosamente, para quem não se sabe ao certo que era. Alguém dentro dela
mesma ou fora, alguém que pudesse trazer a sua alma de volta e percebeu-se
orando. E, no decorrer da oração, sua mente foi-se limpando e clareando as
ideias. Suas palavras tomavam ordem em sua mente e talvez fosse possível
entender o que elas diziam. Mas o melhor era ter o domínio e a direção
novamente... Até a próxima tempestade...