sexta-feira, 11 de março de 2011

That's life


Todos os anos começam e terminam histórias na TV. São meses de amor, ódio, brigas, acertos, viagens... Um sem fim de histórias sem fim... Cada personagem com a busca de um espelho real e cada pessoa do outro lado se espelhando em um personagem fictício.

Pessoas assistem a uma novela buscando nas personagens a sua própria identidade...

Não é novidade que gostaríamos de saber qual é a nossa função nesse mundo, de onde viemos, para onde vamos... Os autores conseguem exprimir esses anseios em capítulos, em cenas, como se a vida pudesse ser resumida em um começo, um meio e um fim... Cada personagem está ali, com uma finalidade... e o fim, esperado, seria um fim feliz para aqueles que foram bons personagens e ruim para aqueles que foram 'vilões'. Anseios do cotidiano e uma esperança no fundo...
E o mais impressionante é a certeza das respostas que gostaríamos de ter, simplificando e fazendo parecer óbvio questões que há milênios fervilham em nossas mentes, formando ou mudando conceitos e opiniões... Se tornando um Deus visível.

Também pode ser a busca da vida ideal que querem para si. Uma forma de fugir do que mais lhe atormenta, a realidade. Vivem em devaneios conjunto em cada cenário, cada texto, cada personagem... Nas novelas e nos filmes as situações são intensas... e toca música quando as pessoas se apaixonam...

Quem nunca ficou com raiva de uma personagem, mesmo sabendo que aquilo é fictício? É o reflexo da realidade. Talvez da sua própria realidade indesejada. Quem sabe quem é o mocinho ou bandidos da vida real? Quem sabe?

Quem nunca se imaginou dizendo exatamente aquele texto? aquelas palavras que um ator disse para quem quer que seja, mas uma situação tão ilusória que arrancaria uma lágrima ao menor sinal de se tornar real.
Uma pitada de coragem talvez separe a previsível ilusão dos desconhecidos fatos sucessíveis e susceptíveis as atitudes da realidade.

Quem dera a vida fosse uma novela com textos decorados, seria tudo bem mais fácil: eu saberia exatamente o que dizer na hora certa. Talvez, se eu fizesse algum sucesso.

Nenhuma expectativa frustrada. A não ser a expectativa da própria vida.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Like a Sunshine day

Alguns dias começam lentos, como dias de chuva fina e ventos frios. Não é fácil saber quem, na verdade, está mais lento, o dia ou quem vos fala, mas não tem chovido pelas manhãs, então qualquer dúvida é mera tentativa de livrar a consciência. Com dias assim, é mais difícil acreditar na história de que o dia está só começando e que tudo pode acontecer, principalmente quando há vários dias nada acontece.

Uma palestra ministrada por um pesquisador bambambã de uma área que eu estou tentando entender e me inteirar, tinha ao mesmo tempo tudo e nada. A intensidade da caça tem diferentes efeitos dependendo do porte dos animais caçados e do tamanho da área ocupada pela comunidade local. A extinção local de determinadas espécies da fauna acarreta na perda de serviços ambientais, posteriormente a perda de componentes da flora... blá blá blá... E eu consigo, mesmo nos momentos de maior fluxo de conhecimento e interatividade conjunta, manter a mente abstraída. Esse seria só mais um dia. São esses dias em que nada acontece e a gente está feliz exatamente por isso, pela constância, uma vez que qualquer mudança tem 50% de chance de ser boa ou ruim e, com a minha sorte, é melhor não querer arriscar.

Mas todo dia é promissor e coisas acontecem, quer queira ou não... E então? Então que o inesperado pode tornar o dia iluminado. A surpresa trás uma expectativa de que tudo pode mudar pra melhor. E a hora da verdade chega, então, inesperada, súbita, como um ladrão que nos rouba a segurança dos nossos dias constantes e sem mudanças.

É, parece que as decisões que adiamos todos os dias, fugindo da responsabilidade e da consequência, um dia bate a nossa porta como um carteiro trazendo a correspondência, a conta atrasa, mas chega. E o aconchego da abstenção de decisões pode dar espaço a um dia claro e iluminado como um típico dia de sol, mas que só se pode ver, se abrirmos a janela das decisões e soprarmos as nuvens de medos pra longe.

Essa história de que tudo pode acontecer passar a ser mais real quando abrimos a janela.